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Conhecimento? Ciência viva? Qual quê!? Reduz-se tudo ao sexo

Sábado, 30.10.10

 

Ups! A melhor metáfora do país socialista talvez esteja naquela exposição "Sexo... e então?" a decorrer no Pavilhão do Conhecimento. E aquela aberração socialista vai lá estar, pelos vistos, até Agosto do ano que vem.

A descrição do material didáctico é igual às personagens que nos governam há décadas, de uma boçalidade em que não nos podemos rever de forma alguma. Indescritível, este lixo absurdo e patológico, sob a capa de ciência, mas que de ciência só tem a etiqueta a designá-lo.

 

Estas notícias deprimentes que me chegam da Plataforma Resistência e de um link para outra organização espanhola, Hazteoir.org, afastam-me cada vez mais de um país que já não sinto como o meu país. E o silêncio geral do conformismo amorfo deixa-me perplexa. Como é que os pais podem permitir esta domesticação aberrante e boçal?

 

A minha opinião aqui nada tem de moralista, apenas utilizo uma ferramenta mental em desuso: o bom senso, o respeito pelas crianças e pelos pais das crianças e pelos adolescentes que ainda não se deixaram contaminar pela barbárie e grosseria vigentes.

Como já aqui disse, somos uma síntese biopsicosocial e cultural. Não podemos reduzir a nossa expressão relacional afectiva mais íntima, mais próxima, ao sexo. E ainda por cima um sexo na sua versão porno-dependente, mecânico, grosseiro, e ligado a uma saciedade narcisista e imatura.

Se isto é o melhor que os socialistas puderam produzir em termos de conhecimento científico? Acho que sim.

Se isto é o destino das novas gerações, serem domesticadas pelo conhecimento científico socialista? Não devia ser.

 

Façam-se ouvir. Ou então fiquem em silêncio, mas um silêncio resistente. E protejam esse direito das vossas crianças e adolescentes, de os não ouvir. Há informações alternativas, saudáveis, com o bom senso necessário, e que respeitam a fase de desenvolvimento única de cada criança e adolescente, a sua síntese unitária e integral.

 

 

 

Posts relacionados com este tema: Como é que os pais podem defender as suas crianças da Obsessão Sexual Socialista?, O sexo está para o poder como o amor está para a autonomia, A melhor metáfora nacional: a ciber-pornografia.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:50

Uma escola de mulheres num mundo de homens?

Quarta-feira, 13.10.10

 

Este sim, seria o maior paradoxo. E a que propósito vem esta questão?

O Nuno, do Cachimbo de Magritte, o mesmo do sorriso do lobo, lançou o debate e nem sei se com destinatário... mas saltando esse pormenor provocador, a tese é interessante, no mínimo:

Num mundo ocidental em franca decadência (isto é absolutamente verdade, uma civilização caracteriza-se pelo pensamento e reflexão, cada vez mais ausentes deste mundo), as mulheres começam a ser bem sucedidas, muito melhor até que os homens em áreas académicas e científicas (a escola actual parece adaptar-se às raparigas e não aos rapazes, que revelam níveis de insucesso preocupantes).

A questão que o Nuno (o mesmo do sorriso do lobo, não esquecer) aqui coloca é em tom provocador:

Não acham que se verifica aqui "mundo ocidental em decadência - sucesso das mulheres", uma coincidência trágica?

 

O debate está aberto e até parece que se acendeu mais do lado dos comentadores homens. As mulheres parecem ter passado ao lado da discussão, afinal, se são bem sucedidas nesta escola para quê preocupar-se? (Glup!, já estou a ser mázinha).

É claro que esta escola não interessa. Esta universidade não interessa. Porque apenas reproduz em série o que antes se produzia em qualidade: o pensamento e a reflexão, a criatividade e a autonomia, a procura de novas soluções, novos caminhos.

O que a torna então mais atractiva e adaptada às raparigas, e afasta os rapazes? Coloquei a hipótese da maior facilidade das raparigas na comunicação verbal, pode ser uma das razões. Uma escola muito teórica, mas de onde o pensamento e a reflexão se tornaram quase ausentes, muito baseada na reprodução, coloca à partida os rapazes à margem, a meu ver. Eles precisam de ver a utilidade das coisas, das tarefas. Para que é que serve?, é a primeira pergunta no olhar de qualquer rapazinho. Qual é o interesse disto? Além disso, são muito visuais (e em tudo, já repararam?, mesmo na interacção social), precisam de ver os objectos e desinteressam-se dos signos, dos códigos descontextualizados.

As mulheres dominam claramente na linguagem e na abstração. Isso não as desmotiva. E, a meu ver, conseguem manter-se nessa tarefa de reproduzir mensagens durante mais tempo. Os rapazes desconcentram-se de tarefas desligadas de uma utilidade prática.

Outra enorme diferença: a actividade desportiva. Embora seja importante para rapazes e raparigas, para eles é fundamental. Murcham fechados numa sala o dia inteiro, esta escola que não contempla a sua necessidade de se expandir, medir forças, exercitar os seus limites, não lhes interessa.

E de facto não interessa. Não está adaptada ao desenvolvimento integral de uma pessoa, homem ou mulher.

 

Mas não tenhamos dúvidas. O mundo ainda é dos homens, as mulheres apenas seguem as suas pegadas, sobretudo na sua colagem acrítica à linguagem do poder. Descobriram o seu encanto, embevecidas com a sua auto-importância pueril. Ter a fama temporária, os prémios temporários, as luzes da ribalta, já dá para adormecer a consciência, não dá?

Um mundo dos homens, mas de que natureza? Um mundo cada vez mais frio, metálico, cínico, boçal, e misógino. Logo aqui, ficam de parte os homens e as mulheres comuns, os que ainda se movem pelos afectos, a empatia, a consciência de pertencer a um universo mais vasto, de outros homens e mulheres como eles, capazes de empatia.

E aos homens e mulheres no poder, interessa-lhes que as pessoas comuns sintam, pensem é reflictam? É claro que não. A escola, a universidade serve para isso, para formatar as pessoas comuns. Aos melhores na escola e na universidade, dá-se-lhes um rebuçado, um lugar, um prémio, e estão dentro do esquema, do seu círculo. Os que pensam pela sua própria cabeça são perigosos, criam-se-lhes obstáculos, fecham-se portas. É assim.

 

Como sair desta lógica decadente, desta organização concebida e formatada para uma elite poderosa que quer manter o seu estilo de vida e que, para isso, lhe convém manter milhares na mediocridade de vidinhas sensaboronas, em trabalhos repetitivos, em subúrbios cinzentos, a pagar impostos?

Só pelo pensamento e pela reflexão, pela empatia e a linguagem dos afectos, pela consciência de pertencer a uma comunidade mais vasta. Só pela capacidade de se distanciar das vozinhas enganadoras e sedutoras: compre isto e aquilo... veja este e aquele programa... esta e aquela telenovela... vote neste e naquele... e terá uma vida de sucesso...

 

As mulheres são co-responsáveis pela perpetuação desta lógica decadente da linguagem do poder, segundo Arno Gruen, que não me canso de citar: afinal, não são elas as mães? É por essa primeira relação afectiva, privilegiada, única, que tudo começa, não é?

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 06:37








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